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Diz -noz:"Lamartine Palhano Jr. em seu "Dicionário de Filosofia Espírita", conceitua mediunidade como sendo uma faculdade inerente ao homem que permite a ele a percepção, em um grau qualquer, da influência dos Espíritos. Não constitui privilégio exclusivo de uma ou outra pessoa, pois, sendo uma possibilidade orgânica, depende de um organismo mais ou menos sensitivo. "

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

As origens da Umbanda e sua Relação com o Espiritismo



Douglas Camillo e Eleonora Kira
 Neste estudo iremos conhecer as origens da Umbanda e sua relação com o Espiritismo. Geralmente ocorrem confusões sobre a origem da Umbanda, muitos acreditam que ela derivou dos cultos africanos; porém, a Umbanda é uma religião genuinamente brasileira. Ela se utiliza, sim, de elementos das crenças africanas, da mesma forma que se utiliza das crenças européias (a Umbanda é cristã) e das indígenas. De origem puramente africana são os diversos cultos do candomblé.
O que é a Umbanda?
 A palavra Umbanda é um vocábulo sagrado da língua Abanheenga, que era falada pelos integrantes do tronco Tupy. Diferentemente do que alguns acreditam, este termo não foi trazido da África pelos escravos. Na verdade, encontram-se registros de sua utilização apenas depois de 1934, entre os cultos de origem afro-ameríndia. Antes disto, somente alguns radicais eram reconhecidos na Ásia e África, porém sem a conotação de um Sistema de Conhecimento baseado na apreensão sintética da Filosofia, da Ciência, da Arte e da Religião.
O termo Umbanda, considerado a "Palavra Perdida" de Agartha, teria sido revelado por Espíritos integrantes da Confraria dos Espíritos Ancestrais. Estes espíritos seriam Seres que há muito não encarnam por terem atingido um alto grau de evolução, mas dignam-se em "baixar" nos templos de Umbanda para trazer a Luz do Conhecimento, em nome de Oxalá - O Cristo Jesus. Utilizam-se da mediunidade de encarnados previamente comprometidos em servir de veículos para sua manifestação.
Os radicais que compõem o mote UMBANDA são, respectivamente: AUM - BAN - DAN. Sua tradução pode ser comprovada através do alfabeto Adâmico ou Vattânico revelado ao Ocidente pelo Marquês Alexandre Saint-Yves d'Alveydre, na sua obra "O ARQUEÔMETRO".
AUM significa "A DIVINDADE SUPREMA"BAN significa "CONJUNTO OU SISTEMA"DAN significa "REGRA OU LEI", A UNIÃOdestes princípios radicais, ou AUMBANDAN, significa "O CONJUNTO DAS LEIS DIVINAS".
Portanto, o AUMBANDAN ou CONJUNTO DAS LEIS DIVINAS é a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, encerra em si os princípios geradores do Universo, que são a SABEDORIA e o AMOR DIVINOS. Estende-se ao Ser Humano como a PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA que contém e dá origem aos quatro pilares do conhecimento humano, ditos como FILOSOFIACIÊNCIAARTE eRELIGIÃO.
Pelo acima exposto, entendemos que a Umbanda seria patrimônio dos Seres Espirituais de Alta Evolução que governam o Planeta Terra, os Seres Humanos encarnados e desencarnados seriam herdeiros deste Conhecimento-Uno. Entretanto, a aquisição deste conhecimento cósmico depende de condições ou pré-requisitos que o indivíduo deve possuir para que possa compreender a extensão e significado deste patrimônio. Deve ser, também, capaz de participar efetivamente da marcha evolutiva do Planeta como um espírito de horizontes largos econsciência cósmica.
Ao processo de amplificação da consciência que conduz à integração do Ser neste contexto denomina-se Processo Iniciático ou Iniciação, no qual o pretendente busca o início das Causas e Origens do nosso Universo a partir do conhecimento de si mesmo e das Leis que regem o Macrocosmo.
O Movimento Umbandista é um Movimento Filo-Religioso que visa resgatar o CONHECIMENTO - UNO ou AUMBANDAN; sua divulgação é estimulada pelo CÍRCULO CÓSMICO DE UMBANDA e seus aspectos internos ou iniciáticos têm suas raízes fundadas naORDEM INICIÁTICA DO CRUZEIRO DIVINO, um Templo-Escola da Alta Iniciação de Umbanda.
História da Umbanda
  Em fins de 1908, uma família tradicional de NevesEstado do Rio de Janeiro, foi surpreendida por uma ocorrência que tomou aspecto sobrenatural: o jovem Zélio Fernandino de Moraes, que fora acometido de estranha paralisia, que os médicos não conseguiam debelar, certo dia ergueu-se no leito e disse: "Amanhã estarei curado". No dia seguinte, levantou-se normalmente e começou a andar, como se nada, antes, houvesse-lhe tolhido os movimentos. Contava apenas dezessete anos e destinava-se a carreira militar na marinha.
A medicina não soube explicar o que tinha ocorrido. Os tios, que eram padres católicos, foram colhidos de surpresa e nada disseram sobre a misteriosa ocorrência.
Um amigo da família sugeriu, então, uma visita à Federação Espírita de Niterói, presidida por José de Souza, na época. No dia 15 de novembro de 1908, o jovem Zélio foi convidado a participar de uma sessão e o dirigente dos trabalhos determinou que ele ocupasse um lugar à mesa.  Tomado por uma força estranha e superior à sua vontade, contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, o jovem Zélio levantou-se e disse: "- Aqui está faltando uma flor"! E retirou-se da sala. Pouco depois, voltou trazendo uma rosa, que depositou no centro da mesa.
Essa atitude insólita causou quase um tumulto. Restabelecida a "corrente", manifestaram-se espíritos, que se diziam de pretos escravos e de índios ou caboclos, em diversos médiuns. Esses espíritos foram convidados a se retirar pelo presidente dos trabalhos, advertidos de seu suposto atraso espiritual.
Foi então que o jovem Zélio foi novamente dominado por uma força estranha, que fez com que ele falasse sem saber o que dizia (De acordo com depoimento do próprio à revista Seleções de Umbanda, em 1975).
Zélio ouvia apenas a sua própria voz perguntar o motivo que levava os dirigentes dos trabalhos a não aceitarem a comunicação desses espíritos e porque eram considerados atrasados, se apenas pela diferença de cor ou de classe social que revelaram ter tido na sua última encarnação. Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela mesa procuraram doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que estaria incorporado em Zélio e desenvolvia uma argumentação segura.
Um dos médiuns videntes perguntou, afinal:
"- Porque o irmão fala nesses termos, pretendendo que esta mesa aceite a manifestação de espíritos que pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados são claramente atrasados? E qual é o seu nome irmão"?
Respondeu Zélio , ainda tomado pela força misteriosa:
"- Se julgam atrasados esses espíritos dos pretos e dos índios, devo dizer que amanhã estarei em casa deste aparelho (o médium Zélio) para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão dar a sua mensagem e, assim , cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E , se querem saber o meu nome , que seja este : "Caboclo das Sete Encruzilhadas", porque não haverá caminhos fechados para mim".
O vidente interpelou a Entidade dizendo que ele se identificava como um caboclo mas que via nele restos de trajes sacerdotais.
O espírito respondeu então:
"- O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre e meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro".
"- Julga o irmão que alguém irá assistir ao seu culto"? Perguntou com ironia, o médium vidente. Ao que o Caboclo das Sete Encruzilhadas respondeu:
"- Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei"!
Zélio de Morais contou que no dia seguinte , 16 de novembro, ocorreu o seguinte:
"- Minha família estava apavorada. Eu mesmo não sabia explicar o que se passava comigo. Surpreendia-me haver dialogado com aqueles austeros senhores de cabeça branca, em volta de uma mesa onde se praticava para mim um trabalho desconhecido. Como poderia, aos dezessete anos, organizar um culto? No entanto eu mesmo falara, sem saber o que dizia e por que dizia. Era uma sensação estranha: uma força superior que me impelia a fazer e a dizer o que nem sequer passava pelo meu pensamento".
"- E, no dia seguinte em casa de minha família, na Rua Floriano Peixoto, 30, em Neves, ao se aproximar a hora marcada, 20 horas, já se reuniam os membros da Federação Espírita, seguramente para comprovar a veracidade dos fatos que foram declarados na véspera. Os parentes mais chegados, amigos, vizinhos e, do lado de fora, estavam um grande número de desconhecidos".
Às 20 horas, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que se iniciava naquele momento, um novo culto em que os espíritos de velhos africanos, que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase exclusivamente para trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos de nossa terra poderiam trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que fosse o credo e a condição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal desse culto, que teria por base o Evangelho de Cristo e, como mestre supremo Jesus.
O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto: sessões, assim se chamariam os períodos de trabalho espiritual, diárias das 20 às 22 horas, os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito.
Deu, também, o nome desse movimento religioso que se iniciava; disse primeiro allabanda (ou um dos presentes assim anotou) mas considerando que não soava bem a sua vibratória, substituiu-o por Aumbanda, ou seja Umbanda, palavra de origem sânscrita que se pode traduzir por "Deus ao nosso lado", ou "o lado de Deus".
Muito provavelmente, ficou o nome Umbanda , e não Aumbanda, porque alguém anotou a palavra separadamente (a umbanda).
A casa de trabalhos espirituais, que no momento se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolhe o Filho nos braços, também seriam acolhidos, como filhos, todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto.
Ditadas as bases do culto, após responder, em latim e em alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou á parte prática dos trabalhos, curando enfermos, fazendo andar aleijados. Antes do término da sessão, manifestou-se um preto velho. Pai Antônio, que vinha completar as curas.
Segundo o jornal Gira de Umbanda (n.º 19 "As Verdadeiras origens da Umbanda do Brasil"), foi esse guia quem ditou o ponto hoje cantado no Brasil inteiro:
Chegou, chegou, chegou, com Deus, chegou, chegou
O Caboclo das Sete Encruzilhadas
Nos dias seguintes, verdadeira romaria se formou na Rua Floriano Peixoto, n.º 30, em Neves. Enfermos, cegos, paralíticos, vinham em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns (cujas manifestações haviam sido consideradas loucuras) deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais. Estava fundada a Umbanda no Brasil. 15 de novembro seria chamado posteriormente, Dia Nacional da Umbanda.
Cinco anos mais tarde manifesta-se o orixá Malé exclusivamente para a cura de obsedados e o combate aos trabalhos de magia negra (obs. Orixá, na realidade não incorpora, apenas manda sua vibração à terra, é comum no estado do Rio, trata-se de um guia espiritual pela denominação do orixá segundo Ivone Mangie Alves Velho, em seu livro Guerra de Orixá).
Dez anos após a fundação da Tenda Nossa Senhora da Piedade (registrada como tenda Espírita, porque não era aceito na época, o registro de uma entidade com especificação de umbanda), o Caboclo das Sete Encruzilhadas declarou que iniciava a segunda parte de sua missão: a criação de sete templos, que seriam o núcleo do qual se propagaria a religião da Umbanda.
Em 1935, estavam fundados os sete templos idealizados pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, sendo curiosa a fundação do sétimo, que receberia o nome de Tenda São Jerônimo (a casa de Xangô). Faltava um dirigente adequado ao mesmo, quando numa noite de quinta feira, José Alvares Pessoa, espírita e estudioso de todos os ramos do espiritualismo, não dando muito crédito ao que lhe relatavam sobre as maravilhas ocorridas em Neves, resolveu verificar pessoalmente o que se passava.
Logo que assomou à porta da sala em que se reuniam os discípulos do Caboclo das Sete Encruzilhadas, este interrompeu a palestra e disse:
"- Já podemos fundar a Tenda São Jerônimo. O seu dirigente acaba de chegar".
O Sr. Pessoa ficou muito surpreso, pois era desconhecido no ambiente. Não anunciara a sua visita e viera apenas verificar a veracidade do que lhe narravam. Após breve diálogo em que o Caboclo das Sete Encruzilhadas demonstrou conhecer a fundo o visitante, José Alvares Pessoa assumiu a responsabilidade de dirigir o último dos sete templos que a entidade criava.
Dezenas de templos e tendas, porém, seriam criados posteriormente, sob a orientação direta ou indireta do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Em 1939, o Caboclo das Sete Encruzilhadas determinou que se fundasse uma federação (que posteriormente passou à denominação de União Espírita de Umbanda do Brasil, segundo relata Seleções de Umbanda n.º 7 1975) , para congregar templos Umbandistas e que deveria ser o núcleo central desse culto, em que o simples uniforme branco de algodão, dos médiuns estabelecia a igualdade de classes e a simplicidade do ritual permitia.
Principais Características da Umbanda
 Umbanda possui uma corrente de espíritos com uma missão definida, que se apresenta nos terreiros com as "ROUPAGENS FLUIDICAS" de pretos-velhos (elemento negro, africano, etnia negra), caboclos (elemento vermelho, indígenas, etnia vermelha) ecrianças (elemento branco, europeu, etnia caucasiana).
Embora bastante confundido, o termo Olodumaré não é umbandista e sim africano. Deus na Umbanda é chamado de ZAMBI.
Os orixás na Umbanda não são deuses, e sim essências divinas (são atributos de Deus que toda a humanidade deve aprender na sua jornada evolutiva). Os espíritos da sagrada corrente de Umbanda se agrupam em falanges, segundo o aprendizado correspondente ao seu estágio evolutivo. Oxalá representa o atributo divino  e tudo que diz respeito às relações do ser humano com Deus. Tem por representante Jesus. Uma pessoa que nasce "filha de Oxalá" tem como missão desenvolver o atributo fé, religiosidade etc. Percebam que esta é uma visão oposta à visão do Candomblé, em que cada orixá é uma divindade com ATRIBUTOS HUMANOS (ciúmes, disputas e brigas entre os orixás são constantes nas lendas africanas).
·     Contrário ao que se pensa a Umbanda não sofreu sincretismo algum. Quem sofreu o sincretismo foi o Candomblé. Os fundamentos da Umbanda nada têm de sincréticos. A Umbanda é uma religião que evolui. Foi se imiscuindo nos cultos de candomblé e modificando-lhes as práticas. Assim, teremos uma enorme gama de práticas umbandistas conforme o maior ou menor grau de assimilação que os cultos foram tendo. Dessa forma, temos a umbanda africana (umbandomblé, que possui todas as práticas do candomblé, inclusive os sacrifícios), mas trabalha com mediunidade e incorporação de espíritos. Há a umbanda esotérica que agrega ensinamentos de diversos sistemas, desde o Espiritismo, à Astrologia, Cromoterapia, Apometria etc. Entre esses dois estágios há níveis intermediários de culto, de forma que a classificação fica muito difícil, pois a Umbanda não foi codificada, como ocorreu com oEspiritismo.
·     O que se acredita ser sincrético na Umbanda, na verdade são conhecidas como falanges de trabalho. Assim, Jesus é o responsável pela linha de OxaláMaria é responsável pela falange YemanjáJerônimo é um dos espíritos que lideram as falanges de XangôSebastiãoé um dos espíritos que lideram a falange de Oxossi. O mesmo ocorre com Jorge da CapadóciaIansã e Oxum não são Orixás Maiores, são ramificações, sub-falanges de Yemanjá, são espíritos encarregados de atuar junto às demais falanges (Iansã é uma falange deYemanjá encarregada de trabalhar junto á falange de XangôOxum é uma falange encarregada de trabalhar junto á falange de Oxossi).
 Assim a Umbanda se apresenta:
 - Oxalá representa a fé e todas as relações entre o homem e a divindade;
Oxossi representa o conhecimento e todas as relações entre o homem e a inteligência;
Yemanjá representa o amor e todas as relações entre o homem e o poder criador divino;
Xangô representa a justiça e todas as relações entre o homem e a justiça divina;
Yori (crianças) representa a pureza e todo o esforço do homem em se tornar mais espiritualizado;
Yorimá (pretos-velhos) representa a humildade e todo o esforço do homem em alcançar sabedoria;
Ogum representa a luta, o esforço do homem nas batalhas contra a sua própria animalidade dentro da lei de amor. Todos os exus (entidades de Ki-banda) estão subordinados às falanges de Ogum justamente por representarem a cobrança kármica, a lei da justiça.
- Na Umbanda não há sacrifícios de animais. Há terreiros que se dizem de Umbanda, mas que praticam QUIUMBANDA (um culto dedicado ao mal).
A relação entre o Espiritismo e a Umbanda.
 Muitos umbandistas trabalham também em centros espíritas. Relatos desses médiuns confirmam que uma entidade de Umbanda não se manifesta em um Centro Espírita.
Porém o que ocorre atualmente é uma relação de receio entre as duas vertentes. Os umbandistas que trabalham em Centros Espíritas, não informam que são Umbandistas e muitos acabam não participando de Centros Espíritas por temerem ser tachados de "inferiores".
A leitura dos livros de Kardec é cada vez mais recomendada nos centros de Umbanda, assim como a manifestação de pretos-velhos é cada vez mais comum nos centros espíritas. É um fenômeno que está partindo da própria espiritualidade. Não são os umbandistas que estão invadindo os centros espíritas, nem são os espíritas que estão invadindo os terreiros.
O candomblé não segue Kardec, por outras razões. Uma delas é que eles não trabalham com manifestações de eguns (espíritos que já encarnaram), outra razão é que o candomblé é pagão, não cultua Jesus, e o Espiritismo é essencialmente cristão.
O Espiritismo foi um termo criado por Kardec para distinguir os espiritualistas que crêem na existência e manifestação de espíritos daqueles espiritualistas que não crêem; podemos conferir no livro "O que é o Espiritismo":
  "(...) A palavra espiritualista, desde muito tempo, tem uma significação bem definida; é a Academia que no-la dá: ESPIRITUALISTAé aquele ou aquela cuja doutrina é oposta ao materialismo. Todas as religiões, necessariamente, estão baseadas no Espiritualismo. Quem crê haver em nós outra coisa além da matéria, é espiritualista, o que não implica na crença nos Espíritos e nas suas manifestações. Como vós o distinguiríeis daquele que o crê? Precisar-se-ia, pois, empregar uma perífrase e dizer: é um espiritualista que crê, ou não crê, nos Espíritos. Para as coisas novas, é preciso palavras novas, se se quer evitar equívocos". – (Kardec, A. O que é o Espiritismo).
 Mas e os rituais? O que a Doutrina Espírita pensa a respeito? Vejamos o que os Espíritos respondem a Kardec:
 Pergunta 653: A adoração tem necessidade de manifestações exteriores?
Resposta: A verdadeira adoração é a do coração. Em todas as vossas ações, imaginai sempre que o Senhor está convosco. – (KARDEC, A. O Livro dos Espíritos).
Pergunta 653: A adoração exterior é útil?
Resposta: Sim, se não for uma farsa, uma vã simulação. É sempre útil dar um bom exemplo; mas aqueles que o fazem de forma fingida ou por amor próprio e cuja conduta desmente a piedade que aparentam dão um exemplo antes mau do que bom e fazem mais mal do que pensam. – (KARDEC, A. O Livro dos Espíritos).
 Pergunta 654:  Deus dá preferência aos que O adoram desse ou daquele modo?
Resposta: Deus prefere os que O adoram verdadeiramente com o coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, àqueles que acreditam honrá-lo por cerimônias que não os tornam melhores para com seus semelhantes. – (KARDEC, A. O Livro dos Espíritos).
 Além da codificação podemos observar Bezerra de Menezes trabalhando em conjunto com espíritos de Umbanda no livro: "Dramas da obsessão":
 a) No Além existem regras de trabalho admiravelmente estabelecidas, equivalentes a leis, mediante as quais os trabalhadores do Bem poderão tomar as providências que a sua responsabilidade, ou competência, entenderem devidas e necessárias. Geralmente aplicam-nas, as providências, Espíritos investidos de autoridade, espécie de chefes de Departamento ou de secção, tal como os entendem os homens, sem que para tanto sejam necessários entendimentos prévios com outras autoridades superiores, ou seja, o regime da burocracia, de que os homens tanto abusam nas suas indecisões, e o qual é desconhecido no Espaço. De outro modo, encontrando-se os referidos serviços do Invisível sob a jurisprudência da fraternidade universal, quaisquer servidores estarão em condições de resolver os problemas que se apresentam no seu roteiro, desde que para tanto investidos se encontrem daquela autoridade que, no Além, absolutamente não é o cargo que confere, mas o equilíbrio consciencial e moral de que disponham.
Tendo a meu cargo um desses setores de serviço que, pela magnanimidade do Senhor e Mestre, me fora confiado como estímulo e bendito ensejo para os labores de que me adviria o progresso pessoal, do qual tanto carece o meu Espírito, não vacilei nas medidas a tomar, visando a evitar novo caso de suicídio naquela família, desgraça que, através do impressionante relatório do meu jovem assistente, pressenti iminente no referido domicílio... Porquanto, além dos inimigos obsessores, sombrios e odiosos desde quatro séculos, existia ainda a permanência dos dois suicidas citados, cuja pressão magnética inferior, corrosiva, por si só seria passível de contágio mental nos demais afins, levando-os, sem mesmo disso se aperceberem, a imitar-lhes o gesto. 
b) — "Perseverai, tu e Peri, por afastardes do cenário familiar de Leonel o chefe dos obsessores em primeiro lugar — pois certo estava eu de que a obsessão coletiva, exercendo ação múltipla, dispõe sempre de um orientador, que será o mais inteligente ou cruel dentre os obsessores, com ascendência irresistível sobre os demais. — Defende-o, aprisionando-o até novas instruções, no recinto deste mesmo Centro, cuja ambiência respeitável, legitimamente apropriada para o caso, se acha em condições de hospedá-lo."
Em seguida, indiquei providências para a remoção de Leonel e sua filha do ambiente doméstico para regiões condizentes com suas afinidades, a bem da tranqüilidade dos demais membros da família e, outrossim, visando à recuperação de ambos para o estado consciente do Espírito desencarnado.
Prontificou-se o meu assistente ao mandato espinhoso e partiu acompanhado do amigo Peri. Tais operosidades, no entanto, são melindrosas e de difícil realização, para os Espíritos delas incumbidos, tal a catequese aos malfeitores terrenos por missionários cujas armas serão apenas a fé na vitória do Bem e a certeza do auxílio celeste, e cujas insígnias serão a lembrança do sacrifício, na Cruz, do Cordeiro de Deus.
 c) Geralmente, a caça a obsessores mui trevosos é levada a efeito por entidades espirituais pouco evolvidas, conquanto já regeneradas pela dor dos remorsos e pela experiência dos resgates, ansiosas pela obtenção de ações meritórias com que adornem a própria consciência, ainda tarjada pela repercussão dos deméritos passados. Efetuam-na, porém, invariavelmente, sob direção de entidades instrutoras mais elevadas, subordinadas todas a leis rígidas, invariáveis, as quais serão irrestritamente observadas. Essas leis são, como bem se perceberá, as normas divinas do Amor, da Fraternidade e da Caridade, que obrigarão os obreiros em ação às mais patéticas e desvanecedoras atitudes de renúncia e abnegação, a fim de que não deixem jamais de aplicá-las, sejam quais forem as circunstâncias. Muitos desses operadores possuem método próprio de agir e os instrutores responsáveis pelo trabalho deixam-nos à vontade dentro do critério das leis vigentes, tal como a equipe de professores que ensinassem letras, ciências, etc., mantendo cada um o seu próprio método, embora observando todas as leis da pedagogia ou do critério particular de cada matéria. 
d) Peri era especializado em tarefas tais e possuía métodos particulares, os quais aplicava com eficiência, sempre que necessário. Trazia às suas ordens pequeno pelotão de auxiliares, que, obedecendo-lhe fielmente, tais os milicianos ao seu general, junto dele desempenhavam concurso valioso de proteção ao próximo, enquanto, assim agindo em defesa dos mais fracos, reparavam deslizes graves de um passado reencarnatório remoto, como explicamos para trás.(PEREIRA, Y. A. Dramas da Obsessão).
 E ainda o Espírito Humberto de Campos, no livro: "Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", psicografado por Chico Xavier:
 "(...) Não é raro vermos caboclos, que engrolam a gramática nas suas confortadoras doutrinações, mas que conhecem o segredo místico de consolar as almas, aliviando os aflitos e os infelizes, ou então, médiuns da mais obscura condição social, e nas mais humildes profissões, a se constituírem instrumentos admiráveis nas mão piedosas dos mensageiros do Senhor..." – (XAVIER, F. C. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho).
 Conclusão
 Conforme elucidado por Kardec:
"(...) Uma vez que, por toda parte que haja homens, há almas ou Espíritos, que as manifestações são de todos os tempos, e que o relato se encontra em todas as religiões, sem exceções. Pode-se, pois, ser católico, grego ou romano, protestante, judeu ou muçulmano, e crer nas manifestações dos Espíritos, e por conseqüência, ser Espírita; a prova é que o Espiritismo tem adeptos em todas as seitas." – (KARDEC, A. O que é o Espiritismo, p. 189).
E comprovado que a Umbanda crê na manifestação de Espíritos, então seus adeptos só podem ser classificados como Espíritas. Desta maneira, os fenômenos ocorridos na Umbanda devem ser estudados pelo Espiritismo de maneira séria e livre de preconceitos.
* * *
Terminamos este estudo com a mensagem deixada pelo espírito Humberto de Campos, no livro: "Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", psicografado por Chico Xavier, onde fica claro o apelo da Espiritualidade Maior em prol da fraternidade, humildade e do amor:
"(...) É dentro dessa serenidade, sob a luz da humildade e do amor, que os espiritistas do Brasil devem reunir-se, a caminho da vitória plena de Ismael em todos os corações..." – (XAVIER, F. C. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho).
 Referências Bibliográficas
 Livros:
O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
O que é o Espititismo – Allan Kardec
Dramas da Obsessão – Yvonne A. Pereira, pelo Espírito Bezerra de Menezes
Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho – Chico Xavier, pelo Espírito Humberto de Campos.
Sítios da Internet:
Como surgiu a Umbanda no Brasil:
http://www.jornaldeumbandasagrada.com.br/doutrina_04.php

Vidência e Clarividência



Jáder Sampaio

Uma Revisão Compreensiva dos Termos na Obra de Kardec

1. Introdução

Estávamos lendo o livro "No Invisível", de Léon Denis, em nosso grupo mediúnico, quando o texto nos remeteu a uma questão recorrente: afinal, qual é a diferença entre a faculdade dos médiuns videntes e a clarividência?
O presente trabalho é um esforço para responder a esta questão a partir de algumas premissas:
  • Os conceitos se acham ambientados dentro da obra de cada autor, e podem variar leve ou notadamente quando analisado em obras de autores diferentes, e até mesmo em livros diferentes do mesmo autor.
  • No estudo do Espiritismo precisamos conhecer bem a terminologia empregada pelos seus principais contribuintes, a começar de Allan Kardec e dos clássicos, a fim de não confundirmos seu emprego.
  • O termo clarividência não foi criado por Kardec, embora tenha sido redefinido pelo codificador diante dos estudos dos fenômenos espirituais. Isto nos obriga a conhecer os significados que se encontram em teorias não espíritas, especialmente as que antecederam o Espiritismo e influenciaram o codificador.
Este artigo é um excerto de um trabalho maior que publicaremos ainda este ano, nos anais de nosso grupo de estudos, mas estamos enviando a parte referente a Allan Kardec ao GEAE em função da pergunta que o leitor Néventon Vargas publicou no boletim número 318.

2. Definição e Fenômenos de Clarividência

O termo clarividência surge pela primeira vez com seu sentido próprio na parte de "O Livro dos Espíritos" que trata da emancipação da alma. Na questão 402, Kardec trata de uma "espécie de clarividência" que acontece durante os sonhos, onde a alma tem a faculdade de perceber eventos que acontecem em outros lugares. Neste ponto, portanto, ele emprega o termo como uma faculdade de ver à distância sem o emprego dos olhos. Os sonâmbulos seriam capazes deste fenômeno devido à faculdade de afastamento da alma de seu respectivo corpo seguida da possibilidade de locomoção da mesma. (q. 432)
Pouco depois, na questão 428, ele indaga aos espíritos sobre a "clarividência sonambúlica". Ele certamente se refere à faculdade já bastante descrita na literatura que trata do sonambulismo magnético, que, na questão 426, os espíritos consideraram equivalente ao sonambulismo natural, com a diferença de ter sido provocado. Os espíritos lhe respondem que as duas faculdades possuem uma mesma causa: a percepção visual é realizada diretamente pela alma do clarividente. Logo a seguir, Kardec pergunta sobre os outros fenômenos da clarividência sonambúlica (q. 429) como a visão através dos corpos opacos e a transposição dos sentidos. Os espíritos reafirmam que os clarividentes vêem afastados de seus corpos, e que a impressão que afirmam de estarem "vendo" por alguma parte do corpo, reside na crença que possuem que precisam deste para perceberem os objetos. A existência da faculdade sonambúlica não assegura a veracidade de todas as informações obtidas neste estado, com o que concordam os espíritos (q. 430).
Dando continuidade à linha de indagações sobre o sonambulismo, Kardec pergunta de onde se originam os conhecimentos apresentados pelos sonâmbulos que eles não possuem em estado de vigília e que não se explicam diretamente pela percepção sonambúlica. Os espíritos argumentam que em estado de emancipação, os sonâmbulos podem acessar conhecimentos que lhes são próprios, originários de existências anteriores, ou de outros espíritos com quem comunicam-se (q. 431). Faz sentido, então, questionar se todos os sonâmbulos são médiuns sonambúlicos, distinção esta que Kardec aprofundará em "O Livro dos Médiuns". Ainda em "O Livro dos Espíritos", afirma-se que a maioria dos sonâmbulos vê os espíritos, mas que muitos deles podem crer que se trate de pessoas encarnadas, por lhes ser estranha a idéia de seres espirituais.

3. Êxtase e Clarividência

Kardec distingue os fenômenos sonambúlicos do êxtase e da dupla vista. O êxtase seria um sonambulismo profundo. Neste estado ocorreria o contato com espíritos etéreos, o que causa as impressões geralmente registradas pelos santos. Na questão 455 encontra-se a seguinte descrição:
"Cerca-o então resplendente e desusado fulgor, inebriam-no harmonias que na Terra se desconhecem, indefinível bem-estar o invade: goza antecipadamente da beatitude celeste e bem se pode dizer que pousa um pé no limiar da eternidade. No estado de êxtase, o aniquilamento do corpo é quase completo. Fica-lhe somente, pode-se dizer, a vida orgânica. Sente-se que a alma se lhe acha presa unicamente por um fio, que mais um pequenino esforço quebraria sem remissão. Nesse estado, desaparecem todos os pensamentos terrestres, cedendo lugar ao sentimento apurado, que constitui a essência mesma do nosso ser imaterial "
Kardec, entretanto, admite que muitas vezes o extático é vítima da sua própria excitação, fazendo descrições pouco exatas e pouco verossímeis, podendo chegar a ser dominados por espíritos inferiores que se aproveitam da sua condição.
Êxtase, portanto, é um estado sonambúlico profundo caracterizado pela perda ou extrema redução da consciência dos eventos que acontecem ao redor do extático, alterações emocionais e um certo sentimento de "sagrado", onde o mecanismo básico é a emancipação da alma.

4. Lucidez e Clarividência

No livro "Definições Espíritas", Kardec define a clarividência como a "faculdade de ver sem o concurso da visão" e logo depois como "percepção sem o concurso dos sentidos". Posteriormente Kardec distingue clarividência de lucidez, da seguinte forma:
"A palavra clarividência é mais genérica; lucidez se diz mais particularmente da clarividência sonambúlica." (KARDEC, 1997. p. 85)

5. Dupla Vista e Clarividência

dupla vista, ao contrário, seria a faculdade de perceber pelos olhos da alma, sem que para tal, seja necessário o estado sonambúlico, em outros termos, sem que o percipiente entre em transe profundo.
A dupla vista seria uma faculdade permanente das pessoas que a possuem, embora não estejam continuamente em exercício da mesma. (q. 448) É uma faculdade que se manifesta de forma espontânea, embora a vontade de quem a possui tenha um papel em seu mecanismo e possa desenvolver-se com o exercício. Da mesma forma que a mediunidade, há organismos que são refratários a esta faculdade, e a hereditariedade parece desempenhar algum papel na transmissão da mesma. Kardec fez uma descrição das alterações psicofísicas que o portador da dupla vista ou segunda vista costuma apresentar (q. 455):
"No momento em que o fenômeno da segunda vista se produz, o estado físico do indivíduo se acha sensivelmente modificado. O olhar apresenta alguma coisa de vago. Ele olha sem ver. Toda a sua fisionomia reflete uma como exaltação. Nota-se que os órgãos visuais se conservam alheios ao fenômeno, pelo fato de a visão persistir, mau grado à oclusão dos olhos. Aos dotados desta faculdade ela se afigura tão natural, como a que todos temos de ver. Consideram-na um atributo de seus próprios seres, que em nada lhes parecem excepcionais. De ordinário, o esquecimento se segue a essa lucidez passageira, cuja lembrança, tornando-se cada vez mais vaga, acaba por desaparecer, como a de um sonho. O poder da vista dupla varia, indo desde a sensação confusa até a percepção clara e nítida das coisas presentes ou ausentes."
Kardec, em suas "Obras Póstumas" (1978, p. 101) faz uma afirmação preciosa para a distinção entre dupla vista e clarividência, que consideramos por bem transcrever:
"No sonamabulismo, a clarividência deriva da mesma causa; a diferença está em que, nesse estado, ela é isolada, independe da vista corporal, ao passo que é simultânea nos que dessa faculdade são dotados em estado de vigília."
É importante frisar que em Kardec o sonambulismo natural, o sonambulismo provocado ou magnético, o êxtase e a dupla vista são faculdades que possuem o mesmo mecanismo: a emancipação da alma. A clarividência seria um fenômeno passível de ocorrer nos dois primeiros estados. Embora a clarividência seja um fenômeno predominantemente anímico, há a possibilidade de ocorrerem percepções do mundo dos espíritos, ou seja, de sua associação com faculdades mediúnicas. Para evitar confusão, consideramos adequado o emprego do termo clarividência mediúnica.

6. Médiuns Videntes e Dupla Vista

Em "O livro dos médiuns" (parágrafo 167), Kardec considera como médiuns videntes as pessoas dotadas da capacidade de ver os espíritos. Nesta categoria temos os médiuns capazes de ver os espíritos em estado de vigília e os que apenas a possuem em estado sonambúlico ou próximo deste. A faculdade não é permanente, estando quase sempre associada a uma crise passageira. Podemos substituir o termo crise por transe, entendendo que por crise passageira o autor se refere aos chamados estados sub-hipnoidais ou de transe superficial.
As pessoas dotadas de dupla-vista podem ser consideradas médiuns videntes, as que percebem os espíritos durante os sonhos, não. As aparições acidentais e espontâneas não configuram a existência desta faculdade, que permite ver qualquer espírito que se apresente. Kardec afirma que este tipo de médiuns julga ver os espíritos com os olhos, mas tanto os vêem com olhos fechados quanto com olhos abertos.
A faculdade pode ser desenvolvida, mas Kardec recomenda que não se provoque este tipo de faculdade, para que o suposto médium não se torne joguete da sua imaginação. Ele considera prudente não dar crédito senão ante provas positivas, como " a exatidão no retratar Espíritos que o médium jamais conheceu quando encamados". Ao advogar a possibilidade de desenvolvimento da faculdade, entendemos que Kardec se refere às pessoas já dotadas da mesma, e não da errônea idéia de desenvolvimento da mediunidade em quem quer que seja.

7. Médiuns Sonambúlicos e Clarividência

Curiosamente, Allan Kardec distingue em duas classes de médiuns os médiuns videntes e os médiuns sonambúlicos. Ele justifica esta classificação dizendo que sonambulismo e mediunidade são "duas ordens de fenômenos que freqüentemente se acham reunidos". (parágrafo 172)
...o Espírito que se comunica com um médium comum também o pode fazer com um sonâmbulo; dá-se mesmo que, muitas vezes, o estado de emancipação da alma facilita essa comunicação. Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e os descrevem com tanta precisão, como os médiuns videntes.

8. Conclusões: Vidência e Clarividência em Allan Kardec

Com as informações até então encontradas, concluímos que a distinção entre vidência e clarividência na obra de Allan Kardec pode ser explicada a partir do esquema abaixo:
Estado de ConsciênciaTranse Profundo (estado sonambúlico e de êxtase, em terminologia kardequiana)Transe Superficial (crise passageira, em terminologia kardequiana)
Fenômenos AnímicosClarividência sonambúlica ou lucidezDupla vista
Fenômenos MediúnicosClarividência mediúnicaVidência mediúnica
Mecanismo GeralEmancipação da almaEmancipação da alma
Concluímos, portanto, que a chave da distinção entre a clarividência e a vidência mediúnicas, encontrada na obra kardequiana, reside na extensão do transe mediúnico.
O leitor da obra de Kardec deve cuidar-se também para não confundir clarividência com mediunidade, uma vez que ele emprega o termo em sentido amplo, podendo referir-se a fenômenos anímicos como a visão à distância sem o emprego dos olhos, visão através de corpos opacos e "transposição de sentidos" (que seria uma impressão do sonâmbulo, e não uma descrição do mecanismo do fenômeno, que é, em última ordem, a emancipação da alma). A relação entre clarividência e mediunidade fica bem ilustrada com o auxílio da figura abaixo:
Vidência e Clarividência

9. Fontes Bibliográficas

  • AMADOU, Robert. Parapsicologia. São Paulo: Mestre Jou, 1966.
  • ANDRADE, Hernani G. Parapsicologia experimental. São Paulo: Pensamento, s.n.
  • ANDRÉ LUIZ. Mecanismos da mediunidade. Rio de Janeiro: FEB, 1977. [Psicografado por XAVIER, Francisco Cândido]
  • ______ Nos domínios da mediunidade. Rio de Janeiro: FEB, 1979. . [Psicografado por XAVIER, Francisco Cândido]
  • DELANNE, Gabriel. O espiritismo perante a ciência. Rio de Janeiro: FEB, 1993.
  • ______ A alma é imortal. Rio de Janeiro: FEB, 1978.
  • KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. [online] Rio de Janeiro: FEB, edição eletrônica, 1995.
  • ______ O livro dos médiuns. [online] Rio de Janeiro: FEB, edição eletrônica, 1996.
  • ______ Definições espíritas. Niterói - R.J.: Lachâtre, 1997.
  • ______ Obras póstumas. Rio de Janeiro: FEB, 1978. ["Causa e natureza da clarividência sonambúlica" e "A segunda vista"]
  • MIRANDA, Hermínio. Clarividência in: Diversidade dos carismas. (vol. 1). Niterói - RJ: Arte e Cultura, 1991. [Atualmente publicado pelaLachâtre]
  • PERALVA, Martins. Clarividência e clariaudiência. In: Estudando a mediunidade. Rio de Janeiro: FEB, 1981.
  • PIRES, J. Herculano. Parapsicologia hoje e amanhã. São Paulo: Edicel, 1987.
  • RUSH, Joseph. Parapsychology: a historical perspective. In: EDGE, Hoyt et al. Foundations of parapsychology. Boston: Routledge & Kegan Paul, 1986.
  • SANTOS, Jorge Andréa. Nos alicerces do inconsciente. Rio de Janeiro: Fon Fon e Seleta, 1980
(Publicado no Boletim GEAE Número 329 de 26 de janeiro de 1999)


AOS TRABALHADORES DA VERDADE 
        Nos tempos atuais, todo o trabalho de quantos se devotam à disseminação das teorias_espiritistas deve ser o de colaboração com os estudiosos da Verdade. Não é o desejo de proselitismo ou de publicidade que os deve animar, porém, a boa vontade em cooperar com os seus atos, palavras e pensamentos, a favor da grande causa.
        Todos nós objetivamos, com a nossa árdua tarefa, ampliar o conhecimento humano, com respeito às realidades espirituais que constituem a vida em si mesma, a fim de que se organize o ambiente favorável ao estabelecimento da verdadeira solidariedade entre os homens.
 por José Aparecido em 18 janeiro 2011 às 21:40
REFLEXÕES SOBRE A  GRANDE  TRANSIÇÃO PLANETÁRIA

            Queridos amigos, estas são reflexões imprescindíveis, que todos nós, espíritas, comprometidos com a divulgação e vivência dos ensinamentos do Espiritismo, necessitamos fazer, compreendendo que estamos sendo convocados, diretamente, para contribuir com o processo de regeneração da Humanidade.
Minha proposta aos queridos amigos é a de observarmos mais atentamente a mensagem-revelação do Espírito Órion., contida no livro Transição Planetária.
Ressaltarei desse capítulo, que é o terceiro, os pontos referentes à convocação que é feita pelo emissário que veio de uma das Pleiâdes (constelação do Touro), especialmente a nós, espíritas.
Incialmente apresento algumas considerações.

O livro Transição Planetária, a meu ver, é a obra mediúnica mais importante dos últimos tempos ao abordar o grandioso processo da renovação planetária, conforme está predito, e como isso se realizará, para que a Terra alcance o patamar da regeneração.
            Jesus, no Sermão profético (Mt c.24 e 25; Mc c.13; Lc 21:5-36) fala do
“princípio das dores” e da“grande tribulação”.
            Em O Livro dos Espíritos, em resposta à questão 1019 proposta por Allan Kardec, o Espírito São Luís elucida, com muita clareza, o que deverá ocorrer para que o bem reine na Terra. Também em A Gênese, cap. XVIII, Kardec aprofunda os esclarecimentos com relação à grande transformação moral e espiritual do planeta.
Na magnífica obra mediúnica Há dois mil anos, (FEB, 1939), Emmanuel, através da psicografia de Chico Xavier, relata no cap. VI da segunda parte, intitulado “Alvoradas do reino do Senhor”, o discurso de Jesus (texto que divulguei há 3 anos para todos os nossos grupos), quando recepcionava um grupo de mártires sacrificados no circo romano. Segundo Emmanuel, o Mestre fez naquele momento sublime, “a exposição de suas profecias augustas”. Nessa importante profecia – recordemos que isto aconteceu há dois mil anos –encontramos detalhes de como se dará a transição, que ora está em curso.
No ano de 1948, a FEB lança o livro Caminho, verdade e vida, de Emmanuel/Chico Xavier, em cujo cap.140, intitulado “Para os montes”, o autor espiritual tece comentários sobre um dos versículos do Sermão profético, conforme Mt 24:16. O texto é notável pois traça um panorama - àquela época –do que estamos vivendo hoje.
Recentemente, a Mentora Joanna de Ângelis, através de Divaldo Franco, divulga a mensagem intitulada “A Grande transição”, (livro Jesus e Vida – LEAL, 2007) excelente esclarecimento sobre o tema que estou enfocando. Interessante assinalar que esta mensagem foi transmitida, penso eu, como preparação para o livro Transição Planetária , que é o objeto de nossas reflexões.
Todos os textos acima evidenciam que a importante contribuição do querido Benfeitor Manoel Philomeno de Miranda, está doutrinariamente fundamentadanas obras citadas.
A obra Transição Planetária, traz, portanto, minuciosos esclarecimentos acerca do processo da regeneração do planeta Terra. Sendo assim é imprescindível que todos os que estarão recebendo essas reflexões estejam em dia com a leitura desse livro. E quem já leu releia...
A seguir, observemos o trecho em que Órion esclarece a vinda de milhares de Espíritos da mesma Esfera ao qual pertence que, inicialmente, estarão se dirigindo às comunidades espirituais (que são denominadas entre nós de ‘colônias espirituais’) que estão próximas à Terra, expondo o grandioso programa ,“de forma que, unidos, formemos uma só caravana de laboriosos servidores, atendendo as determinações do Governador terrestre, o Mestre por excelência.”
“De todas essas comunidades(colônias espirituais) seguirão grupos espirituais preparados para a disseminação do programa, comunicando-se nas instituições espíritas sérias e convocando os seus membros à divulgação das diretrizes para os novos cometimentos.
Expositores dedicados e médiuns sinceros estarão sendo convocados a participarem de estudos e seminários, para que seja desencadeada uma ação internacional no planeta, convidando as pessoas sérias à contribuição psíquica e moral em favor do novo período.”
É importante que leiam todo o capítulo e que atentemos para as advertências que Órion transmite. Claro que os testemunhos acontecerão, como podemos imaginar.
Na parte final da mensagem ele afirma : “ O modelo a seguir permanece Jesus, e a nova onda de amor trará de retorno o apostolado, os dias inesquecíveis das perseguições e do martirológio que, na atualidade, terá características diversas, já que não se podem matar impunemente os corpos como no passado...”
Queridos amigos, agora já sabemos.
A sintonia com essa programação depende de cada um, desde que aceite participar. Mas penso que todos estamos, vibratoriamente e honrosamente,engajados nesse nobre propósito.
Como diz Joanna, aamorável  Benfeitora de todos nós:
“Aclimatados à atmosfera do Evangelho, respiremos o ideal da crença...
E unidos uns aos outros, entre os encarnados e com os desencarnados, sigamos.
Jesus espera: avancemos!


Suely Caldas Schubert  - 18/01/2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Mediunidade com Jesus é serviço aos semelhantes. Desenvolver esse recurso é, sobretudo, aprender a servir.
Aqui, alguém fala em nome dos espíritos desencarnados;
ali, um companheiro aplica energias curativas;
além, um cooperador ensina ao roteiro da verdade;
acolá, outrem enxuga as lágrimas do próximo, semeando consolações.
Entretanto, é o mesmo poder que opera em todos. E a divina inspiraçao do Cristo, dinamizada através de mil modos para reerguer-nos da condição de inferioridade ou para sanar-nos o sofrimento.
E nessa movimentação bendita de socorro e esclarecimento, não se reclama os títulos convencionais do mundo, quaisquer que sejam, porque a mediunidade cristã, em si, não colide com nenhuma posição social, constituindo fonte do Céu a derramar beneficíos na Terra, por intermédio dos corações de boa vontade.
Em razão disso, antes de qualquer sondagem das forças psíquicas, no sentido de se lhes apreciar o desdobramento, vale mais a consagração do trabalhador à caridade legítima, em cujo exercício todas as realizações nobres da alma podem ser encontradas.
Quem desejar a verdadeira felicidade, há de improvisar a felicidade dos outros;
quem procure a consolação, para encontrá-la, deverá reconfortar os mais desditosos da humana experiência.
Dar para receber. Auxiliar para ser amparado.
Esclarecer para conquistar a sabedoria e devotar-se ao bem do próximo para alcançar a bênção do amor.
Eis a lei, que impera igualmente no campo mediúnico, sem cuja observação, o colaborador da Nova Revelação não atravessa os pórticos das rudimentares noções de vida imperecível.
Espírito algum construirá a escada de ascensão sem atender às determinações do auxílio mútuo.
Nesse terreno há muito que fazer os círculos da Doutrina Cristã rediviva, porque não basta ser médium para honrar-se alguém com as vantagens da luz, tanto quanto não vale possuir uma charrua perfeita, sem a aplicação respectiva no esforço da sementeira.
A tarefa pede fortaleza no serviço com raciocínio no sentimento.
Sem maturidade para superar a desaprovação provisória da ignorância e da incompreensão e sem as fibras harmoniosas do carinho fraterno para socorrê-las, com espírito de solidariedade real, é quase impraticável a jornada para a frente.
Os golpes da sombra martelam o trabalho iluminativo da mente por todos os flancos e preciso se torna ao instrumento humano da verdade, armar-se convenientemente na fé viva e na boa vontade incessante, a fim de satisfazer aos imperativos do ministério a que foi convocado.
Age, assim, com isenção de desânimo, sem desalento e sem inquietação, em teu apostolado de esclarecer e de auxiliar.
Estende as tuas mãos sobre os doentes que te busquem o concurso de irmão dos infortunados, na certeza de que o Senhor é o Manancial de todas as Bênçãos.
O lavrador semeia, no entanto, é a Bondade Divina que faz desabrochar a flor e preparar-se o fruto.
Indispensável marchar de alma erguida para o Alto, vigiando, embora as serpes e espinhos que povoam o chão.
Diversos amigos se revelam interessados em tua tarefa de fraternidade e luz e não seria justo que a hesitação te paralizasse os impulsos mais lies, tão-somente porque a opínião do mundo te não entende os propósitos, nem os objetivos da esfera espiritual, de maneira imediata.
Não importa que o tempo seja humilde e que os mensageiros compareçam na túnica de extrema simplicidade.
O Mestre Divino ensinava a verdade à frente de um lago e costumava administrar os dons celestes sob um teto emprestado; além disso, encontrou os companheiros mais abnegados e fiéis entre pescadores anônimos, integrados na vida singela da natureza.
Não te apoquentes e segue com serenidade.
Claro está que ainda não temos seguidores leais do Senhor sem a cruz do sacrifício.
A mediunidade é um madeiro de espinhos dilacerantes, mas com o avanço da subida, calvárío acima, os acúleos se transformam em flores e os braços da cruz se transformam em asas de luz para a alma livre na imortalidade.
Não desprezes a oportunidade de servir e prossegue de esperança robusta.
A estância física é uma estrada breve.
Aproveitamo-la sempre que possível na sementeira do Bem.
Em suma, ser médium no roteiro cristão, é doar de si mesmo em nome do Mestre.
E foi Ele que nos descerrou a realidade de que somente alcançam a vida verdadeira aqueles que sabem perder a existência em favor de todos os que se constituem seus tutelados e filhos de Deus na Terra.
Segue para diante, amando e servindo.
Não nos deve preocupar a ausência de alheia compreensão.
Antes de cogitarmos do problema de sermos amados, busquemos amar, conforme a Inesquecível Orientador que nos observou: "Amai-vos uns aos outros, tal qual eu vos amei".

BEZERRA DE MENEZES
[92 - página 57]
http://www.guia.heu.nom.br/mediunidade_com_jesus.htm